
Em 2020, a pandemia de Covid-19 surpreendeu o mundo. A Fiocruz, referência da ciência brasileira, teve papel decisivo para enfrentar a crise e apoiar o SUS. Conheça essa história.
Explore a Linha do tempo

Vista panorâmica da cidade de Wuhan, China, ago. de 2006. Foto: Hui YU.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu um comunicado das autoridades chinesas sobre casos de uma doença respiratória desconhecida na cidade de Wuhan, na província de Hubei. O aviso marcou o início de uma das maiores crises sanitárias globais da história.


Vista para a entrada principal do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, em Wuhan. Wuhan (CH), mar. 2020. Foto: Hui YU. Foto: Chinanews.com/China News Service
Após os primeiros registros da nova doença respiratória, o mercado de frutos do mar da cidade de Wuhan, suspeito de estar na origem do surto, foi interditado para sanitização. No mesmo dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou mais informações ao governo chinês.


Gráfico do sequenciamento genômico do novo coronavírus disponibilizado publicamente em 10 de janeiro pela equipe do virologista Yong-Zhen Zhang no GenBank, base de dados internacional para compartilhamento de sequências de DNA e RNA.
Autoridades chinesas informaram à Organização Mundial da Saúde que um novo tipo de coronavírus havia sido identificado como o possível agente causador de casos de pneumonia de origem desconhecida registrados na cidade de Wuhan. A identificação do vírus resultou de investigações conduzidas por diferentes instituições do país, incluindo pesquisadores do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (China CDC), como Xu Jianguo, que participaram da análise inicial dos casos e da caracterização do agente infeccioso. Paralelamente, uma equipe liderada pelo virologista Yong-Zhen Zhang, da Universidade Fudan (Xangai), realizou o sequenciamento do genoma do vírus, disponibilizado publicamente em 10 de janeiro no fórum científico online “virological.org”, voltado ao compartilhamento rápido de dados entre pesquisadores, após registro em bases internacionais como o GenBank. O sequenciamento confirmou o pertencimento do microrganismo à família dos coronavirus (coronaviridae), abrindo caminho para o desenvolvimento de testes diagnósticos e o monitoramento da circulação do patógeno.


SARS-CoV-2 isolado de um paciente nos Estados Unidos, 12 fev. 2020. Imagem: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).
Autoridades chinesas compartilharam com a OMS a sequência genética do novo coronavírus. A informação foi disponibilizada à comunidade científica internacional em seguida, permitindo o início do desenvolvimento de testes diagnósticos.


SARS-CoV-2 isolado de um paciente nos Estados Unidos, 12 fev. 2020. Imagem: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).
Autoridades chinesas compartilharam com a OMS a sequência genética do novo coronavírus. A informação foi disponibilizada à comunidade científica internacional em seguida, permitindo o início do desenvolvimento de testes diagnósticos.


Hospital Central de Wuhan. Foto: Youjia YE.
O mundo recebeu a notícia da primeira morte causada pela nova doença: um homem de 61 anos, frequentador do mercado de Wuhan, que já tinha problemas de saúde. Apesar da colaboração das autoridades do país com a OMS, a escassez de informações alimentou debates sobre a transparência do governo chinês, ao mesmo tempo em que refletia as dificuldades iniciais de caracterização da nova doença.


Hospital Universitário Charité. Berlim (DE), 18 set. 2016. Foto: INTERRAILS.
Pesquisadores do Hospital Charité de Berlim, na Alemanha, desenvolveram o protocolo de RT-PCR para detectar o vírus, em um esforço liderado por Christian Drosten. O Charité é o maior hospital universitário da Europa, vinculado às universidades Humboldt e Livre de Berlim. O pesquisador era diretor do Instituto de Virologia e já tinha experiência na testagem do vírus SARS-CoV-1. A OMS ressaltou que ainda não estava confirmado se havia transmissão de pessoa para pessoa e que mais estudos eram necessários.


Hospital Universitário Charité. Berlim (DE), 18 set. 2016. Foto: INTERRAILS.
Pesquisadores do Hospital Charité de Berlim, na Alemanha, desenvolveram o protocolo de RT-PCR para detectar o vírus, em um esforço liderado por Christian Drosten. O Charité é o maior hospital universitário da Europa, vinculado às universidades Humboldt e Livre de Berlim. O pesquisador era diretor do Instituto de Virologia e já tinha experiência na testagem do vírus SARS-CoV-1. A OMS ressaltou que ainda não estava confirmado se havia transmissão de pessoa para pessoa e que mais estudos eram necessários.


Mapa da disseminação da covid-19. Mai., 2020. Ilustração: Jefferson Mendes.
Segundo relatório da OMS, enquanto a China contabilizava 278 casos, infecções já haviam sido registradas na Tailândia, no Japão e na Coreia do Sul. Nesse mesmo dia, a OMS confirmou a transmissão de pessoa para pessoa do novo coronavírus.


Reunião do Centro de Operações de Emergência (COE) do Ministério da Saúde. Brasília (DF), 24 jan. 2020. À esquerda na foto, Julio Croda, diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, e, a seu lado, João Gabbardo dos Reis, Secretário-Executivo do Ministério na gestão de Luiz Henrique Mandetta. Foto: Luís Oliveira/Ministério da Saúde.
Após notificar secretarias de saúde de estados e municípios com base em informações da OMS, o Ministério da Saúde instalou um comitê de especialistas para preparar a rede pública para o atendimento de possíveis casos no Brasil. Poucos dias depois, em 27 de janeiro, a Fiocruz foi convidada a integrar o grupo.


Diretora da OPAS, Carissa Etienne, e o diretor adjunto, Jarbas Barbosa, durante pronunciamento sobre o novo coronavírus. Washington (DC), 24 jan. 2020. Foto: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Em reunião na Organização dos Estados Americanos, a diretora da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Carissa Etienne, destacou a necessidade de os países do continente se prepararem para identificar e isolar casos. Naquele momento, os Estados Unidos já haviam confirmado dois casos envolvendo viajantes provenientes da China.


Diretora da OPAS, Carissa Etienne, e o diretor adjunto, Jarbas Barbosa, durante pronunciamento sobre o novo coronavírus. Washington (DC), 24 jan. 2020. Foto: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Em reunião na Organização dos Estados Americanos, a diretora da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Carissa Etienne, destacou a necessidade de os países do continente se prepararem para identificar e isolar casos. Naquele momento, os Estados Unidos já haviam confirmado dois casos envolvendo viajantes provenientes da China.


Sala de Situação em Saúde para o novo coronavírus. 29 jan. 2020. Foto: Josué Damasceno/Fiocruz.
A Presidência da Fiocruz instituiu uma Sala de Situação para acompanhar a evolução da doença e discutir as medidas a serem tomadas para o enfrentamento da crise. As reuniões diárias começaram no dia 27 de janeiro e envolveram gestores, pesquisadores, técnicos e autoridades de saúde municipais e estaduais do Rio de Janeiro, visando a uma melhor articulação regional.


Tedros Adhanon, diretor da OMS. Foto: Julien Nizet / Belgian Presidency of the Council of the European Union.
Com 7.834 casos confirmados no mundo e 170 mortes na China, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que havia um “surto global” e ressaltou a necessidade de apoiar países com sistemas de saúde frágeis, incluindo a identificação e o isolamento de casos da doença. A agência reforçou que as decisões deveriam ser tomadas com base em evidências científicas, evitando rumores e desinformação em geral, mas descartou a adoção de medidas restritivas drásticas que pudessem afetar a circulação e o comércio internacionais.


Tedros Adhanon, diretor da OMS. Foto: Julien Nizet / Belgian Presidency of the Council of the European Union.
Com 7.834 casos confirmados no mundo e 170 mortes na China, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que havia um “surto global” e ressaltou a necessidade de apoiar países com sistemas de saúde frágeis, incluindo a identificação e o isolamento de casos da doença. A agência reforçou que as decisões deveriam ser tomadas com base em evidências científicas, evitando rumores e desinformação em geral, mas descartou a adoção de medidas restritivas drásticas que pudessem afetar a circulação e o comércio internacionais.


Visita do Secretário Executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, e do Secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kléber de Oliveira, à Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 28 jan. 2020. Foto: Josué Damascena/IOC-Fiocruz.
Em visita ao Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), representantes do Ministério da Saúde - o Secretário Executivo João Gabardo e o Secretário de Vigilância em Saúde (SVS) Wanderson Kléber de Oliveira - se reuniram com pesquisadores da Fiocruz, do Instituto Adolfo Lutz e do Instituto Evandro Chagas para padronizar procedimentos de diagnóstico no país. As instituições integram a rede nacional de laboratórios de referência para vírus respiratórios, sob coordenação da SVS.


Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC/Fiocruz, recebe da OPAS uma amostra de referência utilizada na validação dos testes diagnósticos para a nova doença. Rio de Janeiro (RJ), janeiro de 2020. Foto: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz.
O Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo (IOC/Fiocruz), chefiado pela pesquisadora Marilda Siqueira, promoveu o treinamento de profissionais do Instituto Evandro Chagas e do Instituto Adolfo Lutz para o diagnóstico molecular do vírus. A atividade contou com a participação do assessor regional para Doenças Virais da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jairo Méndez. Desde 1992, o Laboratório já atuava como laboratório de referência nacional em vírus respiratórios para o Ministério da Saúde.


Reunião do Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde. Brasília (DF), 22 jan. 2020. Foto: Luís Oliveira/Ministério da Saúde.
Mesmo sem casos confirmados, o Ministério da Saúde decretou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. A portaria, assinada pelo ministro Luiz Henrique Mandetta, colocou o Brasil em nível máximo na classificação de risco e estabeleceu o Centro de Operações de Emergência como mecanismo de gestão coordenada para controle do novo coronavírus no país. A medida possibilitou a repatriação de brasileiros que estavam em Wuhan, na China.


Capa do documento da OMS sobre a preparação, estratégia e plano de resposta ao novo Coronavírus. Genebra (CH), 02 fev. 2020.
A Organização Mundial da Saúde apresentou o primeiro plano global de enfrentamento ao novo coronavírus, chamado Strategic Preparedness and Response Plan (SPRP). O documento estabeleceu prioridades para conter a disseminação internacional do vírus, apoiar países na vigilância e no diagnóstico e acelerar a pesquisa científica. Para viabilizar essas ações, estimou-se a necessidade de US$ 675 milhões entre fevereiro e abril de 2020. Com foco especial nos países com sistemas de saúde mais frágeis, o SPRP destacou a necessidade de reforçar sua capacidade de resposta para conter o risco de propagação global. O plano marcou o início formal da mobilização internacional diante da emergência de saúde pública declarada poucos dias antes.


Capa do documento da OMS sobre a preparação, estratégia e plano de resposta ao novo Coronavírus. Genebra (CH), 02 fev. 2020.
A Organização Mundial da Saúde apresentou o primeiro plano global de enfrentamento ao novo coronavírus, chamado Strategic Preparedness and Response Plan (SPRP). O documento estabeleceu prioridades para conter a disseminação internacional do vírus, apoiar países na vigilância e no diagnóstico e acelerar a pesquisa científica. Para viabilizar essas ações, estimou-se a necessidade de US$ 675 milhões entre fevereiro e abril de 2020. Com foco especial nos países com sistemas de saúde mais frágeis, o SPRP destacou a necessidade de reforçar sua capacidade de resposta para conter o risco de propagação global. O plano marcou o início formal da mobilização internacional diante da emergência de saúde pública declarada poucos dias antes.


Representantes dos laboratórios públicos dos países latino-americanos durante oficina de capacitação para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e realizada na Fiocruz, no Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. Acervo CCS/Fiocruz.

Presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, no encerramento da oficina de capacitação de laboratórios públicos latino-americanos para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde e realizada na Fiocruz. Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. Acervo CCS/Fiocruz.

Mesa de Encerramento da oficina de capacitação de laboratórios públicos latino-americanos para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e realizada na Fiocruz. Da esquerda para a direita: Rivaldo Venâncio Cunha, Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência/Fiocruz; José Paulo Gagliardi Leite, diretor do Instituto Oswaldo Cruz; Jairo Mendez, assessor regional da Organização Panamericana da Saúde para doenças virais; Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; Wanderson de Oliveira, Secretário de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde; Socorro Gross, Organização Panamericana da Saúde; e Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo/Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz. Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. Acervo CCS/Fiocruz.

Maria José Ortega recebe certificado de participação na oficina de capacitação de laboratórios públicos latino-americanos para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e realizada na Fiocruz. Da esquerda para a direita: Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo/Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz; Maria José Ortega; Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; e Socorro Gross, Organização Panamericana da Saúde. Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. Acervo CCS/Fiocruz.

Encerramento da oficina de capacitação de laboratórios públicos latino-americanos para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e realizada na Fiocruz. Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. acervo CCS/Fiocruz.

Encerramento da oficina de capacitação de laboratórios públicos latino-americanos para o diagnóstico do novo coronavírus, organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e realizada na Fiocruz. Da esquerda para a direita: Rivaldo Venâncio Cunha, da Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência/Fiocruz; Wanderson de Oliveira, Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; e Socorro Gros, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Rio de Janeiro, 6-7 de fevereiro de 2020. Foto: Pedro Paulo. Acervo CCS/Fiocruz.
Em cooperação com o Ministério da Saúde e a OPAS, a Fiocruz treinou técnicos de nove países latino-americanos no diagnóstico por RT-PCR para detecção molecular do vírus. A iniciativa visou à padronização dos procedimentos de testagem e a vigilância regional contra o novo coronavírus e foi coordenada pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Participaram da capacitação técnicos dos seguintes países: a Argentina, Paraguai, Uruguai, Peru, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Panamá.


Chegada da missão de repatriação de 34 brasileiros de Wuhan. Brasília (DF), 7 fev. 2020. Foto: Keven Cobalchini/Ministério da Defesa.
Uma equipe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), liderada pela pesquisadora Marilda Siqueira, atuou na testagem dos brasileiros repatriados da China. Além disso, atuaram na capacitação de funcionários do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) Goiás, em Anápolis (GO), onde os repatriados chegaram e ficaram de quarentena.


Anúncio do nome oficial da doença “covid-19”, publicado pela OMS no X. 11 fev. 2020. Foto: Organização Mundial da Saúde.
A OMS oficializou a nomenclatura da nova doença: corona virus disease (doença do coronavírus), acrescida do número 19 - em alusão ao ano em que surgiram os primeiros casos. Assim, chegou-se ao nome covid-19. O nome buscou evitar estigmas geográficos e culturais, como o uso de expressões como “vírus chinês”, e também prevenir associações indevidas da doença com animais. O vírus foi batizado SARS-CoV-2, por sua semelhança genética com o coronavírus da SARS de 2003 (SARS-CoV-1).


Delegação brasileira em reunião do Fórum de Pesquisa e Inovação da OMS. Na imagem, Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, e Carlos Morel, pesquisador da Fiocruz, ao lado do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Genebra (CH), 11/12 fev. 2020.
Mais de 300 especialistas, de 48 países, incluindo representantes da Fiocruz, se reuniram em Genebra, na Suíça, para acelerar as pesquisas em torno da covid-19 a partir da cooperação científica global. O diretor da OMS classificou a doença como “um teste de solidariedade política, financeira e científica”. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, liderou a equipe da instituição brasileira.


Oficina sobre Covid-19 para jornalistas na Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 12 fev. 2020. Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz.
A oficina reuniu veículos de comunicação nacionais com o objetivo de compartilhar informações científicas sobre o novo coronavírus e combater fake news. Pesquisadores da Fiocruz abordaram, entre outros assuntos, características do vírus e aspectos clínicos da doença. A ação foi promovida pela Coordenação de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz. No contexto político brasileiro, marcado por discursos negacionistas, a emergência sanitária seria agravada pela “infodemia”, fluxo acelerado de informações (verdadeiras e falsas) sobre a doença, gerando confusão e desconfiança por parte da população.


Oficina sobre Covid-19 para jornalistas na Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 12 fev. 2020. Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz.
A oficina reuniu veículos de comunicação nacionais com o objetivo de compartilhar informações científicas sobre o novo coronavírus e combater fake news. Pesquisadores da Fiocruz abordaram, entre outros assuntos, características do vírus e aspectos clínicos da doença. A ação foi promovida pela Coordenação de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz. No contexto político brasileiro, marcado por discursos negacionistas, a emergência sanitária seria agravada pela “infodemia”, fluxo acelerado de informações (verdadeiras e falsas) sobre a doença, gerando confusão e desconfiança por parte da população.


Praça de Turim vazia durante a pandemia. Turim (IT), 18 mai. 2020.
Com o aumento acelerado de casos e mais de 150 casos confirmados, as autoridades italianas decretaram bloqueios em cidades e a suspensão de atividades escolares e eventos públicos. Um mês depois, o país registrava mais de 10 mil mortes, tornando-se o epicentro da pandemia.


Praça de Turim vazia durante a pandemia. Turim (IT), 18 mai. 2020.
Com o aumento acelerado de casos e mais de 150 casos confirmados, as autoridades italianas decretaram bloqueios em cidades e a suspensão de atividades escolares e eventos públicos. Um mês depois, o país registrava mais de 10 mil mortes, tornando-se o epicentro da pandemia.


Coletiva de imprensa do Ministério da Saúde sobre o primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Brasília (DF), 26 fev. 2020. Foto: ASCOM/Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de covid-19 no país e na América Latina: um homem de 61 anos, morador de São Paulo, que havia retornado da Itália. Após apresentar sintomas respiratórios, ele realizou testagem no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e teve o diagnóstico confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz.


Coronavírus visto ao microscópio eletrônico. São Paulo (SP), 28 fev. 2020. Foto: Instituto Adolfo Lutz.
Dois dias após a confirmação do primeiro caso de covid-19 no país, diagnosticado em 26 de fevereiro em São Paulo, uma equipe de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford concluiu e divulgou o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 a partir de uma amostra daquele paciente. Entre os estudiosos envolvidos, destacaram-se Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP, e Jaqueline Goes de Jesus, pesquisadora em estágio pós-doutoral da Faculdade de Medicina da USP, que coordenou, ao lado de Claudio Tavares Sacchi, o grupo responsável pelo sequenciamento do genoma. Realizado em cerca de 48 horas a partir de um dispositivo portátil desenvolvido por uma empresa britânica, o procedimento permitiu confirmar a vinculação do caso a linhagens em circulação na Europa e contribuiu para os esforços iniciais de caracterização do vírus no país em um cenário de rápida expansão da doença pelo mundo e de incertezas quanto à sua disseminação.


Coronavírus visto ao microscópio eletrônico. São Paulo (SP), 28 fev. 2020. Foto: Instituto Adolfo Lutz.
Dois dias após a confirmação do primeiro caso de covid-19 no país, diagnosticado em 26 de fevereiro em São Paulo, uma equipe de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford concluiu e divulgou o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 a partir de uma amostra daquele paciente. Entre os estudiosos envolvidos, destacaram-se Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP, e Jaqueline Goes de Jesus, pesquisadora em estágio pós-doutoral da Faculdade de Medicina da USP, que coordenou, ao lado de Claudio Tavares Sacchi, o grupo responsável pelo sequenciamento do genoma. Realizado em cerca de 48 horas a partir de um dispositivo portátil desenvolvido por uma empresa britânica, o procedimento permitiu confirmar a vinculação do caso a linhagens em circulação na Europa e contribuiu para os esforços iniciais de caracterização do vírus no país em um cenário de rápida expansão da doença pelo mundo e de incertezas quanto à sua disseminação.


Kits para diagnóstico da covid-19 produzidos por Bio-Manguinhos/Fiocruz. Produção de kits de diagnóstico na Fiocruz. 2020. Foto: Bernardo Portella. Acervo CCS/Fiocruz.
Atendendo solicitação do Ministério da Saúde, a Fiocruz anunciou que o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná, com apoio do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo (Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz), iriam desenvolver e produzir o kit para diagnóstico molecular do SARS-CoV-2. A grande demanda por testagem levaria à produção dos kits em tempo recorde e em uma escala sem precedentes. A primeira entrega ao Ministério da Saúde seria feita ainda em março. Em menos de dois meses, a Fiocruz passou a produzir por semana o equivalente à produção anual de kits de diagnóstico. Em junho de 2021, foi alcançada a marca de mais de 20 milhões de testes fornecidos à rede pública.


Anúncio da OMS decretando a pandemia de covid-19. Genebra (CH), 11 mar. 2020. Foto: Organização Mundial da Saúde (OMS), imagem capturada de vídeo.

Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, fala aos jornalistas na coletiva de imprensa sobre a declaração, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da pandemia de covid-19. Rio de Janeiro, 11 de março de 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Coletiva de imprensa na Fiocruz sobre a declaração, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da pandemia de covid-19. Na mesa, da esquerda para a direita, Antonio Gomes Pinto Ferreira, vice-diretor de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos; Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz; e Valcler Rangel Fernandes, chefe de gabinete da presidência da Fiocruz. Ao fundo, com as mãos da mesa, Elisa Andries, coordenadora de Comunicação Social da Fiocruz. Rio de Janeiro, 11 de março de 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Coletiva de imprensa na Fiocruz sobre a declaração, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da pandemia de covid-19. Com a palavra, Valcler Rangel Fernandes, chefe de gabinete da presidência da Fiocruz. Ao seu lado, Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz e Antonio Gomes Pinto Ferreira, vice-diretor de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos. Rio de Janeiro, 11 de março de 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.
Com 118 mil casos em 114 países e mais de 4 mil mortes, a Organização Mundial da Saúde classificou a covid-19 como pandemia, reconhecendo que o vírus já se espalhava de forma sistemática por diferentes continentes e configurava uma ameaça de saúde global, exigindo resposta coordenada. A decisão foi motivada pela rapidez e pela amplitude da propagação da doença e buscou mobilizar governos e populações para reforçar sistemas de saúde e adotar medidas de contenção. “Tocamos a sineta do alarme em alto e bom som”, disse o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, pedindo ações urgentes e solidárias: “Cuidemos uns dos outros, porque precisamos uns dos outros”. No mesmo dia, a Fiocruz concedeu uma coletiva de imprensa sobre a decisão da OMS.


Testes moleculares para detecção da covid-19. 10 jun. 2021. Foto: Pedro França/Agência Senado
Entre os dias 11 e 13 de março, a Fiocruz e o Ministério da Saúde promoveram o treinamento de técnicos dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) do país para a realização do diagnóstico da covid-19, começando pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Alagoas. Já haviam passado pela capacitação os laboratórios de São Paulo, Pará, Goiás e Rio Grande do Sul. Após a conclusão da capacitação dos Lacens das 27 unidades federativas, uma cerimônia foi realizada em Belém (PA) no dia 18 de março com a participação de pesquisadores do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz), à frente das atividades de treinamento. O trabalho de capacitação dos laboratórios públicos fortaleceu a vigilância epidemiológica ao descentralizar os exames e ampliar a capacidade de testagem no país.


Testes moleculares para detecção da covid-19. 10 jun. 2021. Foto: Pedro França/Agência Senado
Entre os dias 11 e 13 de março, a Fiocruz e o Ministério da Saúde promoveram o treinamento de técnicos dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) do país para a realização do diagnóstico da covid-19, começando pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Alagoas. Já haviam passado pela capacitação os laboratórios de São Paulo, Pará, Goiás e Rio Grande do Sul. Após a conclusão da capacitação dos Lacens das 27 unidades federativas, uma cerimônia foi realizada em Belém (PA) no dia 18 de março com a participação de pesquisadores do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz), à frente das atividades de treinamento. O trabalho de capacitação dos laboratórios públicos fortaleceu a vigilância epidemiológica ao descentralizar os exames e ampliar a capacidade de testagem no país.


Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, participa de debate sobre o novo coronavírus na Câmara dos Deputados. Brasília (DF), 12 mar. 2020. Foto: Fernanda Marques/Fiocruz Brasília.
Poucas horas após a declaração da pandemia, dirigentes da Fiocruz participaram de sessão extraordinária da Comissão Geral da Câmara dos Deputados ao lado do ministro da Saúde sobre a covid-19 no país. A presidente da instituição, Nísia Trindade Lima, defendeu “o fortalecimento da transparência das informações, da nossa capacidade científica e do nosso SUS”.


Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, participa de debate sobre o novo coronavírus na Câmara dos Deputados. Brasília (DF), 12 mar. 2020. Foto: Fernanda Marques/Fiocruz Brasília.
Poucas horas após a declaração da pandemia, dirigentes da Fiocruz participaram de sessão extraordinária da Comissão Geral da Câmara dos Deputados ao lado do ministro da Saúde sobre a covid-19 no país. A presidente da instituição, Nísia Trindade Lima, defendeu “o fortalecimento da transparência das informações, da nossa capacidade científica e do nosso SUS”.


Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek vazio. Brasília (DF), 14 abr. 2020. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Diante do risco de colapso do sistema de saúde, o Distrito Federal foi o primeiro a anunciar medidas restritivas, como suspensão de aulas e eventos. Na semana seguinte, São Paulo e Rio de Janeiro seguiram a mesma linha. Em março, todos os estados já haviam decretado algum nível de distanciamento físico, o que desencadeou tensões entre o presidente Jair Bolsonaro, contrário às medidas.


Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek vazio. Brasília (DF), 14 abr. 2020. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Diante do risco de colapso do sistema de saúde, o Distrito Federal foi o primeiro a anunciar medidas restritivas, como suspensão de aulas e eventos. Na semana seguinte, São Paulo e Rio de Janeiro seguiram a mesma linha. Em março, todos os estados já haviam decretado algum nível de distanciamento físico, o que desencadeou tensões entre o presidente Jair Bolsonaro, contrário às medidas.


Coveiros no Cemitério de Vila Formosa. São Paulo (SP), 2 abr. 2020. Foto: Amanda Perobelli.
Rosana Aparecida Urbano, de 57 anos, trabalhadora doméstica em São Paulo, foi identificada como a primeira vítima fatal da doença no Brasil. Internada na zona leste da cidade, morreu em 12 de março, antes mesmo da confirmação diagnóstica. Rosana deixou uma filha, Thais Aparecida da Silva, que, em poucas semanas, perderia também os avós e dois tios para a covid-19, em uma sequência de perdas que evidenciou, desde o início, o impacto devastador da pandemia sobre as famílias brasileiras. Originalmente, o primeiro óbito atribuído à covid-19 no país havia sido registrado em 16 de março, mas o registro foi corrigido em junho de 2020 a partir da atualização de dados do Sistema de Informação e Vigilância Epidemiológica da Gripe.


Capa do Plano de Contingência da Fiocruz diante da pandemia da covid-19.
A instituição apresentou diretrizes para proteger seus trabalhadores e estudantes, assegurar a segurança de todos, reorganizar as atividades (incluindo adoção de trabalho remoto), mas mantendo os serviços considerados essenciais. O Plano de Contingência também incluía direcionamentos sobre biossegurança e comunicação de risco, tendo sido atualizado em 26 de março de 2020.


Capa do Plano de Contingência da Fiocruz diante da pandemia da covid-19.
A instituição apresentou diretrizes para proteger seus trabalhadores e estudantes, assegurar a segurança de todos, reorganizar as atividades (incluindo adoção de trabalho remoto), mas mantendo os serviços considerados essenciais. O Plano de Contingência também incluía direcionamentos sobre biossegurança e comunicação de risco, tendo sido atualizado em 26 de março de 2020.


Reunião para organizar ações relativas ao enfrentamento da pandemia na Fiocruz. Da esquerda para a direita: Ricardo de Godoi (Coordenação-Geral de Planejamento Estratégico da Fiocruz), Pamela Lang (Coordenação de Comunicação Social da Presidência/CCS da Fiocruz), Valcler Rangel Fernandes (chefe de gabinete da Presidência da Fiocruz), Elisa Andries (CCS), Valber Frutuoso (assessor da Presidência da Fiocruz). De costas Marco Menezes (Vice-Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 18 mar. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.
A Portaria nº 5.347, da Presidência da Fundação, oficializou a criação de um Grupo de Trabalho para coordenar ações de combate à pandemia da Fiocruz. O grupo foi o ponto de partida para a organização estratégica da resposta da instituição à crise sanitária, delegando funções de execução, monitoramento e articulação interna e externa, como a implementação e atualização do Plano de Contingência.


O médico e pesquisador Estevão Portella, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI)/Fiocruz, coordenou o estudo no Brasil. Foto: Juana Portugal/INI/Fiocruz.
O ensaio clínico Solidarity reuniu hospitais de vários países com o objetivo de acelerar a produção de evidências robustas para o tratamento da covid-19. Inicialmente, quatro linhas de tratamento já utilizadas em outras doenças foram testadas: remdesivir, cloroquina/hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir e interferon-beta. No Brasil, a coordenação ficou sob responsabilidade do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), envolvendo 18 hospitais de 12 estados. O primeiro paciente das pesquisas realizadas no INI foi incluído em 31 de março, em um ensaio envolvendo pessoas hospitalizadas, com foco nos quadros mais graves. O estudo clínico previa acompanhamento contínuo dos resultados, com possibilidade de interromper o uso de medicamentos ineficazes, como ocorreria posteriormente com a cloroquina e seu derivado, a hidroxicloroquina, que não demonstraram benefício clínico em ensaios randomizados.


Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. 20 mar. 2020. Foto: Marcelo Casal JR/Agência Brasil
O ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o sistema de saúde brasileiro poderia entrar em colapso até o fim de abril devido ao alastramento da doença pelo país. As divergências entre Mandetta e o presidente Bolsonaro quanto à gravidade e à urgência no enfrentamento da pandemia se intensificaram a partir desse momento. O alerta do ministro foi veiculado por meio de videoconferência. No mesmo dia, o Ministério publicou Portaria declarando “estado de transmissão comunitária do coronavírus” em todo o território.


Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. 20 mar. 2020. Foto: Marcelo Casal JR/Agência Brasil
O ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o sistema de saúde brasileiro poderia entrar em colapso até o fim de abril devido ao alastramento da doença pelo país. As divergências entre Mandetta e o presidente Bolsonaro quanto à gravidade e à urgência no enfrentamento da pandemia se intensificaram a partir desse momento. O alerta do ministro foi veiculado por meio de videoconferência. No mesmo dia, o Ministério publicou Portaria declarando “estado de transmissão comunitária do coronavírus” em todo o território.


Pronunciamento oficial do presidente Jair Bolsonaro (captura de tela). 24 mar. 2020. Foto: CanalGov.
Em pronunciamento oficial, o então presidente relativizou a gravidade da pandemia, criticou a imprensa por ter contribuído para o que chamou de “histeria” e atacou medidas de contenção adotadas por estados e municípios, afirmando: “Devemos voltar à normalidade”. A partir de então, Bolsonaro passou a apresentar a situação como uma escolha entre manter o isolamento ou salvar a economia, afirmando que era necessário priorizar a continuidade das atividades econômicas. Na época, o presidente já vinha sendo alvo de manifestações da sociedade repudiando suas posições no enfrentamento da emergência.


Tele Coronavírus 155, canal de atendimento para orientações sobre a covid-19. Bahia, 24 mar. 2020.
Em parceria com a Universidade Federal da Bahia e o governo estadual, o Instituto de Pesquisa Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) lançou o serviço telefônico gratuito “Tele Coronavírus” para orientar a população sobre sintomas da covid-19. O atendimento foi realizado por estudantes de medicina, supervisionados por médicos, com base em protocolos do Ministério da Saúde. A ferramenta utilizava um aplicativo para registrar sintomas e reduzir deslocamentos desnecessários em busca de atendimento presencial. A iniciativa mobilizou centenas de voluntários e fortaleceu a resposta à pandemia no contexto do distanciamento físico.


Tele Coronavírus 155, canal de atendimento para orientações sobre a covid-19. Bahia, 24 mar. 2020.
Em parceria com a Universidade Federal da Bahia e o governo estadual, o Instituto de Pesquisa Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) lançou o serviço telefônico gratuito “Tele Coronavírus” para orientar a população sobre sintomas da covid-19. O atendimento foi realizado por estudantes de medicina, supervisionados por médicos, com base em protocolos do Ministério da Saúde. A ferramenta utilizava um aplicativo para registrar sintomas e reduzir deslocamentos desnecessários em busca de atendimento presencial. A iniciativa mobilizou centenas de voluntários e fortaleceu a resposta à pandemia no contexto do distanciamento físico.


Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol, em frente ao prédio de Bio-Manguinhos. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Obras para a construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz, no antigo campo de futebol. Rio de Janeiro (RJ), mar./abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; Valdiléa Veloso, diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz; e Ana Beatriz Cuzzatti, coordenadora-geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic) falam aos trabalhadores da construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), abr. 2020.

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; Valdiléa Veloso, diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz; e Ana Beatriz Cuzzatti, coordenadora-geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic) falam aos trabalhadores da construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), abr. 2020.

Roberto Pozzan, subsecretário-geral da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, em visita às obras de construção do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), abr. 2020. Foto Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 de abril de 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.

Construção em andamento do Centro Hospitalar Covid-19 da Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 15 abr. 2020. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.
Dirigentes da Fiocruz anunciaram, em coletiva de imprensa com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, a criação de um centro hospitalar dedicado à covid-19. Diferente de um hospital de campanha, a unidade foi projetada como um legado permanente para a rede pública de saúde. Integrando o Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), o Centro Hospitalar Covid-19, dotado de modernos equipamentos, contou com cerca de 200 leitos de terapia intensiva e semi-intensiva para pacientes em estado grave. Sua construção, concluída em menos de dois meses, foi viabilizada com recursos extraordinários do Ministério da Saúde, contando ainda com doações de empresas por meio do Programa Unidos contra a Covid, da Fiocruz. Na unidade, seriam realizadas importantes pesquisas clínicas sobre a doença, como os estudos do ensaio clínico Solidariedade, coordenado pela OMS, em busca de recursos terapêuticos para a doença.


Caixa do medicamento Sulfato de Hidroxicloroquina. Foto: Ester Paiva
O Ministério da Saúde autorizou a entrega de 3,4 milhões de unidades de cloroquina aos estados. O então ministro Luiz Henrique Mandetta ressaltou que, apesar da falta de evidências sobre sua eficácia, a substância poderia ser usada a critério do médico apenas em casos graves de covid-19 no contexto hospitalar. Naquele momento, a cloroquina ainda estava sendo objeto de estudos no ensaio clínico internacional Solidariedade, coordenado pela OMS. Com o avanço das pesquisas, a agência excluiu oficialmente a substância dos testes em 4 de julho de 2020, após resultados que indicaram sua ineficácia e riscos de efeitos adversos. Ao longo da pandemia, o uso da cloroquina e de seu derivado, a hidroxicloroquina, passou a ser defendido como alternativa terapêutica por lideranças como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil, com claros objetivos políticos. As substâncias ganharam destaque no cenário internacional após a divulgação de seus supostos benefícios pelo médico francês Didier Raoult, o que suscitou inicialmente reações entusiasmadas de atores influentes do mundo econômico, como Elon Musk. No contexto brasileiro, as tensões envolvendo o uso da cloroquina foram um dos fatores que levaram à demissão de Mandetta do cargo de ministro da saúde.


Caixa do medicamento Sulfato de Hidroxicloroquina. Foto: Ester Paiva
O Ministério da Saúde autorizou a entrega de 3,4 milhões de unidades de cloroquina aos estados. O então ministro Luiz Henrique Mandetta ressaltou que, apesar da falta de evidências sobre sua eficácia, a substância poderia ser usada a critério do médico apenas em casos graves de covid-19 no contexto hospitalar. Naquele momento, a cloroquina ainda estava sendo objeto de estudos no ensaio clínico internacional Solidariedade, coordenado pela OMS. Com o avanço das pesquisas, a agência excluiu oficialmente a substância dos testes em 4 de julho de 2020, após resultados que indicaram sua ineficácia e riscos de efeitos adversos. Ao longo da pandemia, o uso da cloroquina e de seu derivado, a hidroxicloroquina, passou a ser defendido como alternativa terapêutica por lideranças como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil, com claros objetivos políticos. As substâncias ganharam destaque no cenário internacional após a divulgação de seus supostos benefícios pelo médico francês Didier Raoult, o que suscitou inicialmente reações entusiasmadas de atores influentes do mundo econômico, como Elon Musk. No contexto brasileiro, as tensões envolvendo o uso da cloroquina foram um dos fatores que levaram à demissão de Mandetta do cargo de ministro da saúde.


Captura de tela da Plataforma MonitoraCovid-19. 09 set. 2025.
O Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) lançou a plataforma MonitoraCovid-19 para acompanhar a disseminação da pandemia no Brasil. O sistema permitia a visualização interativa de dados oficiais sobre casos confirmados, óbitos e taxa de incidência por estados e municípios. A ferramenta funcionou como instrumento importante de apoio à vigilância em saúde e à comunicação pública de risco, oferecendo informações para autoridades e sociedade.


Captura de tela da Plataforma MonitoraCovid-19. 09 set. 2025.
O Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) lançou a plataforma MonitoraCovid-19 para acompanhar a disseminação da pandemia no Brasil. O sistema permitia a visualização interativa de dados oficiais sobre casos confirmados, óbitos e taxa de incidência por estados e municípios. A ferramenta funcionou como instrumento importante de apoio à vigilância em saúde e à comunicação pública de risco, oferecendo informações para autoridades e sociedade.


Logomarca do Consórcio Nordeste.
O Consórcio Nordeste, formado pelos governadores dos nove estados da região em 2019, instituiu o Comitê Científico de Apoio ao Combate à Covid‑19. Composto por cientistas indicados pelas administrações estaduais, o Comitê contou com a participação de pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco). Sua função foi assessorar os governadores por meio de análises fundamentadas e boletins técnicos, orientando decisões estratégicas regionais durante a pandemia.


Logomarca do Consórcio Nordeste.
O Consórcio Nordeste, formado pelos governadores dos nove estados da região em 2019, instituiu o Comitê Científico de Apoio ao Combate à Covid‑19. Composto por cientistas indicados pelas administrações estaduais, o Comitê contou com a participação de pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco). Sua função foi assessorar os governadores por meio de análises fundamentadas e boletins técnicos, orientando decisões estratégicas regionais durante a pandemia.


Marcus Lacerda, pesquisador do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazonas), liderou o estudo com cloroquina para o tratamento de covid-19, o primeiro aprovado no Brasil pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), em 20 de março de 2020. Manaus (AM), mai. 2020. Foto: Revista Exame.
Pesquisadores do estudo CloroCovid-19, conduzido em Manaus e liderado pela Fiocruz, recomendaram a suspensão do uso de doses elevadas do medicamento no tratamento da covid-19. Resultados preliminares, divulgados em formato preprint em 11 de abril, apontaram maior toxicidade e risco de efeitos colaterais, sobretudo em pacientes graves, achados posteriormente confirmados em artigo científico revisado por pares e publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) Network Open em 24 de abril. O estudo reuniu mais de 70 pesquisadores, estudantes de pós-graduação e colaboradores de instituições como a Fiocruz, a USP, a Universidade do Estado do Amazonas e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado. O trabalho foi um dos primeiros a alertar para os perigos da cloroquina, que ainda integrava os testes do ensaio clínico Solidariedade da OMS. A divulgação inicial dos resultados gerou ataques e ameaças aos pesquisadores nas redes sociais, promovidos por defensores do uso da substância.


O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Brasília (DF), 15 abr. 2020. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Luiz Henrique Mandetta deixou o cargo em meio à escalada de tensões com a Presidência da República sobre a gestão da pandemia. Ao defender medidas de distanciamento, manifestar reservas quanto ao uso da cloroquina no “tratamento precoce” e criticar a comunicação ambígua do governo federal, Mandetta explicitou divergências em relação a Bolsonaro. Ele foi substituído pelo médico oncologista Nelson Teich, que permaneceria no cargo por apenas 27 dias. A troca frequente de ministros à frente da pasta nesse momento inicial da pandemia, amplamente criticada por entidades da área da saúde, contribuiu para o aprofundamento das incertezas quanto à condução da crise pelo governo.


Chegada e entrega de vacinas em Barbados. Barbados, 06 abr. 2021. Foto: PMO Barbados
A OMS lançou a Covax Facility, um consórcio global para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo a vacinas contra a covid-19. Com o objetivo de garantir que todos os países, independentemente da renda, tivessem acesso a vacinas seguras e eficazes, a iniciativa contou com a participação da Aliança para Vacinas (GAVI), da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ela integrou uma das frentes da ampla coordenação internacional denominada Access to COVID-19 Tools (ACT) Accelerator, lançada em 24 de abril com o objetivo de promover o acesso global a diagnósticos, terapias e vacinas a partir da cooperação entre governos, organismos multilaterais, setor privado e instituições de pesquisa. Apesar desses esforços, a Covax não conseguiria alcançar plenamente suas metas originais, enfrentando dificuldades em um contexto marcado por priorização de interesses nacionais pelos países ricos, desigualdades globais na capacidade produtiva e obstáculos ao compartilhamento de tecnologia associados a regras de propriedade intelectual.


Chegada e entrega de vacinas em Barbados. Barbados, 06 abr. 2021. Foto: PMO Barbados
A OMS lançou a Covax Facility, um consórcio global para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo a vacinas contra a covid-19. Com o objetivo de garantir que todos os países, independentemente da renda, tivessem acesso a vacinas seguras e eficazes, a iniciativa contou com a participação da Aliança para Vacinas (GAVI), da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ela integrou uma das frentes da ampla coordenação internacional denominada Access to COVID-19 Tools (ACT) Accelerator, lançada em 24 de abril com o objetivo de promover o acesso global a diagnósticos, terapias e vacinas a partir da cooperação entre governos, organismos multilaterais, setor privado e instituições de pesquisa. Apesar desses esforços, a Covax não conseguiria alcançar plenamente suas metas originais, enfrentando dificuldades em um contexto marcado por priorização de interesses nacionais pelos países ricos, desigualdades globais na capacidade produtiva e obstáculos ao compartilhamento de tecnologia associados a regras de propriedade intelectual.


Casos acumulados confirmados de covid-19 por milhão de pessoas em 21 de maio de 2020. 15 set. 2025. Foto: Our World in Data.
Em coletiva de imprensa, o diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan, declarou que a América do Sul havia se tornado o novo epicentro da pandemia. O Brasil era o país mais afetado da região, com mais de 330 mil casos confirmados e 21 mil mortes pela doença até então.


Casos acumulados confirmados de covid-19 por milhão de pessoas em 21 de maio de 2020. 15 set. 2025. Foto: Our World in Data.
Em coletiva de imprensa, o diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan, declarou que a América do Sul havia se tornado o novo epicentro da pandemia. O Brasil era o país mais afetado da região, com mais de 330 mil casos confirmados e 21 mil mortes pela doença até então.


O Governador de São Paulo João Doria e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciando parceria com a farmacêutica Sinovac. São Paulo (SP), 11 jun. 2020. Foto: Portal do Butantan.
O Instituto Butantan anunciou parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech para a produção da vacina CoronaVac no Brasil, desenvolvida pela empresa sediada em Pequim, com previsão de transferência da tecnologia. O acordo incluía a realização, no país, da fase 3 dos ensaios clínicos, momento decisivo na pesquisa envolvendo novas vacinas, quando sua eficácia e segurança são avaliadas a partir da aplicação em larga escala, em milhares de voluntários. Coordenado no Brasil pelo Butantan, o estudo envolveu inicialmente cerca de 9 mil profissionais de saúde e foi conduzido em centros de pesquisa distribuídos por diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal. A inclusão do Brasil nessa etapa final de testes inseriu o país no esforço internacional de desenvolvimento de vacinas em um momento de intensa circulação do vírus.


O Governador de São Paulo João Doria e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciando parceria com a farmacêutica Sinovac. São Paulo (SP), 11 jun. 2020. Foto: Portal do Butantan.
O Instituto Butantan anunciou parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech para a produção da vacina CoronaVac no Brasil, desenvolvida pela empresa sediada em Pequim, com previsão de transferência da tecnologia. O acordo incluía a realização, no país, da fase 3 dos ensaios clínicos, momento decisivo na pesquisa envolvendo novas vacinas, quando sua eficácia e segurança são avaliadas a partir da aplicação em larga escala, em milhares de voluntários. Coordenado no Brasil pelo Butantan, o estudo envolveu inicialmente cerca de 9 mil profissionais de saúde e foi conduzido em centros de pesquisa distribuídos por diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal. A inclusão do Brasil nessa etapa final de testes inseriu o país no esforço internacional de desenvolvimento de vacinas em um momento de intensa circulação do vírus.


Presidente Jair Bolsonaro e seu assessor Filipe Martins em transmissão ao vivo. 11 jun. 2020.
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente pediu que a população entrasse em hospitais públicos e de campanha para verificar se os leitos estavam realmente ocupados: “Arranja um jeito de entrar e filmar”, disse ele. Bolsonaro afirmou ainda que “ninguém no país morreu por falta de respirador”, criticando novamente as medidas de distanciamento físico adotadas por estados e municípios. As declarações estimularam a desconfiança sobre os números da pandemia. Poucos dias depois, o Brasil alcançaria a marca de 1 milhão de casos confirmados.


Frame de vídeo da CPI da Covid, Senado Federal, aos 00:29 minutos, exibindo a imagem do protesto. Rio de Janeiro (RJ), 11 jun. 2020.
A ONG Rio de Paz instalou cruzes na areia da praia de Copacabana, simbolizando túmulos em homenagem às vítimas da covid-19 e em protesto contra a gestão da pandemia pelo governo federal. O ato ganhou repercussão, especialmente após um pai que perdeu o filho de 25 anos recolocar cruzes retiradas do local por pessoas contrárias à manifestação. O taxista Marcio Antonio Nascimento Silva, pai de Hugo, pediu respeito à dor das famílias. No ano seguinte, em depoimento emocionado à CPI da Covid, ele relembraria o episódio, indignando-se com o que classificou como “deboche” do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores em relação às vítimas da doença.


Cemitério de Manaus. Manaus (AM), 16 nov. 2020. Foto: Marcio James/Semcom PM Manaus Cemitério.
O país atingiu a marca de 1 milhão de casos confirmados, de acordo com o Ministério da Saúde. Uma semana antes, em 12 de junho, o país já havia ultrapassado o Reino Unido, tornando-se o segundo país do mundo, depois dos Estados Unidos, em número de mortes por covid-19, com um total de 41.901 óbitos até aquele momento.


Equipe do projeto Conexão Saúde: de Olho na Covid, 2020. Foto: Douglas Lopes.

Equipe do projeto Conexão Saúde: de Olho na Covid, 2020. Foto: Douglas Lopes.

































A Fiocruz, em parceria com a ONG Redes da Maré, Dados do Bem, SAS Brasil, Conselho Comunitário de Manguinhos e União Rio, e com financiamento do Todos pela Saúde, lançou o Conexão Saúde: De Olho na Covid. O projeto tinha como objetivo implementar ações de vigilância com participação de grupos locais nos complexos de favelas de Manguinhos e da Maré, envolvendo teleatendimento, testagem, isolamento domiciliar seguro e ações de comunicação. A iniciativa se destacou como experiência inovadora em vigilância ativa, combinando recursos tecnológicos, conhecimento científico e participação das lideranças comunitárias dos territórios.


Presidente Jair Bolsonaro, mar. 2020. Foto: Carolina Antunes/PR, Wikimedia Commons.
Dois dias depois do lançamento, pelo Ministério da Saúde, do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro lançou dúvidas sobre a eficácia e a segurança das vacinas, apesar dos resultados positivos dos ensaios clínicos então divulgados para imunizantes como os da Oxford/AstraZeneca e da Pfizer/BioNTech. Declarando que não iria se vacinar, ele ironizou: “Se você virar um jacaré, é problema seu”. A fala ocorreu um dia após o Supremo Tribunal Federal decidir que estados e municípios tinham autonomia para adotar a vacinação obrigatória, não mediante aplicação forçada, mas por meio de medidas indiretas, como multas ou restrições de acesso a serviços e espaços públicos em caso de recusa à imunização. Na decisão, o ministro Luís Roberto Barroso destacou que, em situações de risco coletivo, o direito da sociedade à saúde se sobrepunha a escolhas individuais que ameaçassem terceiros. Estudos científicos conduzidos a partir do início da vacinação confirmaram que os imunizantes eram eficazes na prevenção de hospitalizações e mortes, salvando milhões de vidas no mundo.


Transferência de pacientes de Manaus (AM) para Teresina (PI). Manaus, 15 jan. 2021. Foto: Thiago Amaral/Amazônia Real.
Com o aumento das internações, o sistema de saúde de Manaus (AM) atingiu o limite de sua capacidade. Houve lotação nos hospitais, falta de oxigênio e mortes por asfixia, além do colapso do setor funerário. No dia 14 de janeiro, o Amazonas registrou 3.816 novos casos, o maior número desde o início da pandemia. Especialistas apontaram que a explosão de casos esteve associada a fatores como a flexibilização das medidas de contenção, as limitações estruturais do sistema de saúde na região e as desigualdades no acesso a serviços básicos. Posteriormente, verificou-se que a circulação da variante P.1 do vírus (ou variante Gama, como veio a ser conhecida), mais transmissível, contribuiu para o agravamento desse quadro.


O governador do Estado de São Paulo, João Doria, acompanha o início da campanha de vacinação contra a covid-19, com a aplicação da primeira dose na enfermeira Mônica Calazans, do Hospital Emílio Ribas. São Paulo (SP), 17 jan. 2021. Foto: Governo do Estado de São Paulo
Em um evento simbólico que marcou o início da vacinação no Brasil, a enfermeira Mônica Calazans, mulher negra e profissional de saúde da zona leste de São Paulo (SP), foi a primeira pessoa no Brasil a receber a vacina, com uma dose do imunizante CoronaVac, em cerimônia no Instituto Butantan. Importada da fábrica da Sinovac, na China, a vacina foi aplicada minutos após a autorização emergencial do seu uso pela Anvisa. Ao antecipar-se ao início oficial do programa nacional de imunização, a ação do governador João Doria expressou a urgência na aplicação das vacinas e também as disputas políticas por protagonismo na corrida pela vacinação, gerando críticas do Ministério da Saúde e do Governo Federal.


Cerimônia que deu início à vacinação no estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro (RJ), 18 jan. 2021. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O estado do Rio de Janeiro iniciou sua campanha de imunização contra a Covid-19 em uma cerimônia simbólica aos pés do Cristo Redentor. As primeiras pessoas vacinadas foram a técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes e a idosa Teresinha da Conceição. O ato, de forte apelo visual, marcou o início da vacinação na cidade e reforçou sua importância como gesto coletivo de proteção e esperança em meio à crise sanitária.


Cerimônia que deu início à vacinação no estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro (RJ), 18 jan. 2021. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O estado do Rio de Janeiro iniciou sua campanha de imunização contra a Covid-19 em uma cerimônia simbólica aos pés do Cristo Redentor. As primeiras pessoas vacinadas foram a técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes e a idosa Teresinha da Conceição. O ato, de forte apelo visual, marcou o início da vacinação na cidade e reforçou sua importância como gesto coletivo de proteção e esperança em meio à crise sanitária.


O médico Estevão Portela, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI)/Fiocruz, foi a primeira pessoa a receber a vacina Oxford/AstraZeneca no Brasil, durante cerimônia na Fiocruz (campus de Manguinhos). Da direita para a esquerda, Valdiléa Veloso, diretora do INI, e Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz. Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2021. Foto: Peter Ilicciev. Acervo CCS/Fiocruz.
Após chegarem à Fiocruz no dia 22 de janeiro, as 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, provenientes do Instituto Serum na Índia,passaram por checagem de qualidade e segurança, além de rotulagem, com etiquetagem das caixas com informações em português. Em cerimônia que marcou a entrega da primeira remessa de imunizantes ao Ministério da Saúde, profissionais de saúde e pesquisadores da Fundação foram vacinados, entre eles a médica pneumologista Margareth Dalcolmo. O primeiro a receber a dose foi o médico Estevão Portela, pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) e coordenador do estudo Solidariedade, da OMS, no Brasil. Ainda no dia 23, as primeiras doses foram enviadas ao Ministério da Saúde para distribuição aos estados por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI).


Técnicos de saúde de oitos estados brasileiros participam de treinamento na Fiocruz - Foto: Agência Gazeta / Agência Brasil
Aproximadamente 30 mil kits com insumos para a realização de testes diagnósticos para o novo coronavírus estão sendo distribuídos à rede de laboratórios públicos de todo o País. A medida é mais uma ação do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, para preparar os estados para uma possível disseminação da doença no Brasil, além da identificação de novos casos. Os kits foram desenvolvidos por Bio-Manguinhos e pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) a pedido do ministério.


Técnicos de saúde de oitos estados brasileiros participam de treinamento na Fiocruz - Foto: Agência Gazeta / Agência Brasil
Aproximadamente 30 mil kits com insumos para a realização de testes diagnósticos para o novo coronavírus estão sendo distribuídos à rede de laboratórios públicos de todo o País. A medida é mais uma ação do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, para preparar os estados para uma possível disseminação da doença no Brasil, além da identificação de novos casos. Os kits foram desenvolvidos por Bio-Manguinhos e pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) a pedido do ministério.


Foto: Isac Nóbrega/PR
Durante visita ao interior de Goiás, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de contenção da covid-19 adotadas por governadores e a minimizar a gravidade da pandemia, reiterando que restrições à circulação de pessoas comprometeriam a atividade econômica: “chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”. Bolsonaro ainda sugeriu que decisões quanto a medidas sanitárias como o lockdown deveriam caber a ele, e não a prefeitos e governadores. As declarações ocorreram em discurso durante a inauguração de um trecho ferroviário, no mesmo dia em que o Brasil superou a marca de 1.700 mortes registradas em 24 horas — um dos piores índices desde o início da pandemia.


Evolução das taxas de ocupação de leitos de UTI de covid-19 para adultos no Brasil no período de 17/07/2020 a 15/03/2021, produzida pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz. 17 mar. 2021.
O Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 da Fiocruz apontou uma situação de colapso sanitário e hospitalar sem precedentes no Brasil. Dados oficiais indicaram que 24 estados e o Distrito Federal apresentavam ocupação de leitos de UTI para pacientes com covid-19 igual ou superior a 80%, e que 15 dessas unidades ultrapassavam os 90%. Nas capitais, 25 das 27 cidades registravam ocupação acima de 80%, e 19 delas superavam 90%. Pesquisadores classificaram o cenário como o mais crítico já registrado no país, em meio a um novo recorde diário de mortes pela doença. Esses dados, apresentados em uma sequência de mapas com gradações crescentes de vermelho, indicando níveis cada vez maiores de alerta, foram amplamente veiculados na imprensa como evidência do agravamento da pandemia.


Sepultamento no cemitério Nossa Senhora Aparecida. Manaus (AM), 15 mai. 2020. Foto: Fotos Públicas
O Brasil atingiu a marca trágica de 500 mil mortes por covid-19. O dia foi marcado por manifestações em diversas cidades e por declarações de pesar e indignação de diferentes setores da sociedade civil. Dias depois, a Fiocruz, por meio do Observatório Covid-19, publicaria boletim técnico classificando o cenário como “extremamente crítico” e reiterando a necessidade de medidas coordenadas, ampliação da vacinação e fortalecimento do Sistema Único de Saúde.


Sessão da CPI da covid-19 no Senado Federal. Brasília (DF), 2021. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
Após seis meses de funcionamento, a CPI da Pandemia aprovou seu relatório final por sete votos a quatro. O documento pediu o indiciamento de duas empresas e 78 pessoas, entre elas o então presidente Jair Bolsonaro, acusado de crimes como “epidemia com resultado de morte”, “charlatanismo”, “infração de medidas sanitárias preventivas”, “incitação ao crime”, “falsificação de documentos” e “crimes contra a humanidade”. O relatório também apontou indícios de corrupção em contratos de vacinas, como os da Precisa Medicamentos e da VTCLog. A conclusão teve forte repercussão nacional e internacional. Organizações como a Human Rights Watch destacaram que as evidências reforçavam a necessidade de responsabilização por violações de direitos humanos na condução da pandemia.


Funcionários municipais desinfectam ruas em Cascais, Portugal, neste sábado (28), para evitar a disseminação do novo coronavírus. O mundo bateu a marca dos 600 mil casos de Covid-19. — Foto: Rafael Marchante/Reuters
Em declaração, OMS confirma o número de infectados globamente e alerta para a necessidade de os países reduzirem a velocidade de transmissão do vírus através de medidas de vigilância, controle e contenção. Depois da China e do Irã, a Itália se torna um dos países mais afetados pela doença, com mais de 200 mortos e 6 mil contaminados.


Funcionários municipais desinfectam ruas em Cascais, Portugal, neste sábado (28), para evitar a disseminação do novo coronavírus. O mundo bateu a marca dos 600 mil casos de Covid-19. — Foto: Rafael Marchante/Reuters
Em declaração, OMS confirma o número de infectados globamente e alerta para a necessidade de os países reduzirem a velocidade de transmissão do vírus através de medidas de vigilância, controle e contenção. Depois da China e do Irã, a Itália se torna um dos países mais afetados pela doença, com mais de 200 mortos e 6 mil contaminados.


Paola Resende, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), integrante da Rede Genômica da Fiocruz. Foto: Josué Damascena/Fiocruz.
Em março de 2020, a Fiocruz organizou a Rede Genômica, reunindo laboratórios e unidades de referência da fundação em todo o Brasil, além de instituições parceiras, para conduzir a vigilância genômica do SARS-CoV-2. A rede passou a decodificar o genoma viral, monitorar linhagens em circulação, identificar variantes e apoiar a resposta da saúde pública diante do avanço da pandemia. Em articulação com os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) dos estados, equipes multidisciplinares passaram a analisar amostras e produzir informações para subsidiar as autoridades sanitárias federais e estaduais, além de compartilhar seus achados em bases de acesso aberto, como o Gisaid, banco global de dados genômicos coordenado pela OMS. Com cerca de 200 a 250 pesquisadores e técnicos, a iniciativa permitiu acompanhar o surgimento e a disseminação de variantes de preocupação, isto é, variantes associadas a maior transmissibilidade ou a quadros mais graves de doença. Com o avanço da vacinação, esse monitoramento também passou a indicar quando mutações virais poderiam afetar a proteção conferida pelos imunizantes, contribuindo para sua atualização e melhor adequação aos vírus em circulação. Em outubro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criaria a Rede Corona-ômica BR, reunindo laboratórios em todo o país, sobretudo de universidades, para articular e fortalecer a vigilância genômica no país.